Tesouro da Juventude

O LIVRO DA TERRA

A Terra está sempre em movimento
O Sol e sua família

A GRANDE BOLA EM QUE VIVEMOS


No fundo do mar vivem seres que não sabem o que seja a luz, pois vivem sempre na mais completa escuridão. Não têm nem olhos nem ouvidos. Para eles a vida se resume quase exclusivamente na satisfação de alguns instintos. Ali não há dias nem noites; não há estações do ano, nem sol, nem lua, nem estrelas; não há sons, nem beleza de nenhuma espécie; e todo o maravilhoso universo que conhecemos está fora de seu alcance.

    E como se uma criança passasse a vida deitada na cama completamente às escuras, sem coisa alguma para ver ou ouvir, e apenas com uma espécie de mudança em toda a sua existência: ter e não ter alguma coisa dentro da boca. Não, essa vida não é lá coisa que quiséssemos para nós; e todavia, quantos entes há no mundo que não a levam melhor! Como é diferente da deles a nossa vida! Nós temos muitos sentidos ou portas do conhecimento. Alguns deles, como o gosto e o cheiro, são menos importantes do que os outros ... O tato já é de de maior importância, e o mesmo podemos dizer do sentido do calor e do frio.

    Depois vem o maravilhoso sentido do ouvido, com o qual adquirimos tantas espécies de conhecimentos e nos encantamos com tanta coisa bela — como o cantar das aves, o rumor do mar, as vozes dos nossos amigos, e essa coisa sublime que se chama música.

    Muito melhor, porém, que tudo isto, como porta do conhecimento, é o sentido da vista. Por seu intermédio tomamos conhecimento dum sem-número de coisas maravilhosas. Mostra-nos o solo que há sob os nossos pés e o céu que está por cima das nossas cabeças; o Sol, a Lua, as estrelas, as estrelas cadentes, o relâmpago ou um lindo pôr de sol sobre as águas do mar. Permite-nos identificar os nossos amigos e conhecer toda essa maravilhosa variedade de seres vivos que há sobre a Terra. A vista diz-nos - e nisto nos ajuda também o sentido do calor e do frio - que o tempo está dividido em horas de luz e horas de obscuridade.

    A existência, tão banal, da noite, quando pensamos bem, aparece-nos como verdadeiramente maravilhosa. Aliás as coisas mais comuns serão sempre maravilhosas, se as considerarmos não só com os olhos do nosso rosto, mas também com o da alma.


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