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LIVRO DAS POESIAS
hÁ duas maneiras fundamentais de exprimir ideias ou senti-^ ' mentos, descrever lugares, coisas ou acontecimentos. Uma, com o emprego de palavras precisas, à semelhança das que usamos em palestras comuns, embora, ao escrever, tenhamos um cuidado maior em sua escolha e disposição na frase: é a prosa. Os grandes escritores selecionam e combinam os vocábulos, de modo que, além de nos transmitirem com precisão o seu pensamento, o fazem de forma elegante e eufônica. Mas há outra maneira de escrever em que as palavras soam com mais encanto, em que as imagens e comparações são mais utilizadas e o ritmo é mais acentuado; aí parece que a frase se coloca em plano bem alto e nos fala melhor ao sentimento emotivo. A sua leitura dá-nos a impressão acentuada de "música" e nos conduz para um mundo diferente do que nos cerca: e a poesia. A emoção que os versos nos provocam ó mais acentuada, mas não apenas pela sua disposição gráfica, sim pelo conteúdo de ideias e de vibração interior que o poeta nos transmite. Por isso e que Schiller, o grande poeta alemão, definiu a poesia como sendo "a força que age de maneira divina e inaprcendida , além e acima da consciência". De fato, embora coincidam eu; muitos casos, a prosa deve ser ciara c explícita, real e precisa. A lingii;igem '.1,1 poesia é incomum e interpretai iv.i. Daí
aquela bonita det'iniç;'iii
>i'.
poeta francês Paul Valerv:
"p.ie.si.i é a tentativa de
representar • n i\r
restituir por meio da linguagem articulada aquelas coisas ou aquela
cins,, que os gestos, as lágrimas, as c;n
ic-ias. os beijos, os .suspiros pro(.'iir;i!" iihs-curamento exprimir". Assim, a prosa tem l'orm;is i pii1-ceitos regulares: para a pui'.-, ;i. :! liberdade de expressão e de (•r.i:n';'ii> > mais acentuada. Em outros tempos, a prmcip.il c.irac-torística desta consistia na exisleni.-i;] dos versos rimados e mel riíiriiila.v. isto é. com as mesmas lermilit.coes e medidas: mas a p.iesia não c necessariamente constituída de rn ;;i c métrica, nem estas (:ireiiiislaiici;i.-. revelam, por si sós. a naUirc/',i |»ir'n';'. de um escrito. Malherbe comparou ;i |)i'i..s;i :i rrnir-cha e a poesia à dança. A poesia começou. pr.'\';!\'rl" ."-^i pelo gosto que temo,-: em (••"li.ii. m;i-nifestada antenormeiili ;':i p' ,1.;'',: escrita.Uma
viagem aveiiiiirii-,;i ir campanha guerreira eram (••.'ii em cantos, que o povo repeti;!.
panhados por instrumentn
n, Segundo a tradição, Homero, poeta grego dos maiores que o mundo tem apresentado, era um cego que viveu cerca de oitocentos anos antes de Cristo e que costumava recitar ou cantar, de povoação em povoação, as suas descrições poéticas das guerras em que se haviam empenhado os compatriotas. Aliás, na antiguidade, a importância dos poetas era enorme; atribuía--se-lhes a interpretação de augúrios; uaíes, foram eles chamados e vaticínios essas interpretações. Eram cercados de uma espécie de auréola de nobreza. Há várias espécies de poesia. A dramática (para ser representada em teatros) possui "falas" ou diálogos; tem enredo, ação, e compreende o drama propriamente dito, a tragédia, a comédia, etc., antigamente sempre escritas em versos. Na poesia épica há, usualmente, a descrição de um acontecimento notável, dos feitos de um herói, da história de uma nação, empregando-se, em geral, palavras altissonantes, arrojadas comparações. Na poesia lírica exprimem-se particularmente os sentimentos individuais; seus temas preferidos são o amor, a tristeza, a saudade, e assim era chamada a princípio porque os poetas e aedos a recitavam ao som da "lira", instrumento de cordas, de forma característica. O género satírico se inspira no propósito de ridiculizar certas pessoas, instituições ou acontecimentos, mostrando-lhes os defeitos e vícios. As poesias são compostas de versos, linhas dispostas mais ou menos regularmente, com acentuações próprias, mantendo certo ritmo musical e grupados em "estancas" ou "estâncias", também chamadas estrofes. Aqui estão quatro versos, formando uma estrofe: "Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá." A estrofe de 2 versos chamam' dístico; à de 3, terceto; à de 4 quadra a quintilha, a sextilha e a setil?ia tên respectivamente, 5, 6 e 7 versos; grupo de 8 é a oitava, o de 9 a non e o de 10 a décima. Há grupamentos tradicionais, com o do soneto (duas quadras e dois ter cetos, de rimas combinadas entre si) Há poesias de versos rimados, « outras em cujos versos não há rima. Esta existe quando, nos finais dói versos, aparece o mesmo som, a parti] da sílaba tónica, apesar de diferirei! as palavras. Eis três versos, de Gon' çalves Dias, nos quais rimam os doii primeiros; o som que faz a rima esti impresso em tipo diferente: Não têm harmonia os mare.s Como o rugir dos palmares No correr da viração |
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