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LIVRO DAS POESIAS


A poesia, música das palavras
Brasil (R. Carvalho) 
Napoleão em Waterloo (G, Magalhães)
                    
            

  A POESIA, MÚSICA DAS PALAVRAS

hÁ duas maneiras fundamentais de exprimir ideias ou senti-^  ' mentos, descrever lugares, coi­sas ou acontecimentos. Uma, com o emprego de palavras precisas, à seme­lhança das que usamos em palestras comuns, embora, ao escrever, tenha­mos um cuidado maior em sua escolha e disposição na frase: é a prosa.

Os grandes escritores selecionam e combinam os vocábulos, de modo que, além de nos transmitirem com preci­são o seu pensamento, o fazem de forma elegante e eufônica.

Mas há outra maneira de escrever em que as palavras soam com mais encanto, em que as imagens e com­parações são mais utilizadas e o ritmo é mais acentuado; aí parece que a frase se coloca em plano bem alto e nos fala melhor ao sentimento emo­tivo. A sua leitura dá-nos a impressão acentuada de "música" e nos conduz para um mundo diferente do que nos cerca: e a poesia.

A emoção que os versos nos provo­cam ó mais acentuada, mas não ape­nas pela sua disposição gráfica, sim pelo conteúdo de ideias e de vibração interior que o poeta nos transmite.

Por isso e que Schiller, o grande poeta alemão, definiu a poesia como sendo "a força que age de maneira divina e inaprcendida

, além e acima da consciência".

De fato, embora coincidam eu; mui­tos casos, a prosa deve ser ciara c ex­plícita, real e precisa. A lingii;igem '.1,1 poesia é incomum e interpretai iv.i.

Daí aquela bonita det'iniç;'iii >i'. poeta francês Paul Valerv: "p.ie.si.i é a tentativa de representar • n i\r restituir por meio da linguagem arti­culada aquelas coisas ou aquela cins,, que os gestos, as lágrimas, as c;n ic-ias. os beijos, os .suspiros pro(.'iir;i!" iihs-curamento exprimir".
 

Assim, a prosa tem l'orm;is i pii1-ceitos regulares: para a pui'.-, ;i. :! liberdade de expressão e de (•r.i:n';'ii> > mais acentuada.

Em outros tempos, a prmcip.il c.irac-torística desta consistia na exisleni.-i;] dos versos rimados e mel riíiriiila.v. isto é. com as mesmas lermilit.coes e medidas: mas a p.iesia não c ne­cessariamente constituída de rn ;;i c métrica, nem estas (:ireiiiislaiici;i.-. re­velam, por si sós. a naUirc/',i |»ir'n';'. de um escrito.

Malherbe comparou ;i |)i'i..s;i :i rrnir-cha e a poesia à dança.

A poesia começou. pr.'\';!\'rl" ."-^i pelo gosto que temo,-: em (••"li.ii. m;i-nifestada antenormeiili   ;':i p' ,1.;'',:

escrita.Uma viagem aveiiiiirii-,;i ir campanha guerreira eram (••.'ii em cantos, que o povo repeti;!. panhados por instrumentn n,

Segundo a tradição, Homero, poeta grego dos maiores que o mundo tem apresentado, era um cego que viveu cerca de oitocentos anos antes de Cristo e que costumava recitar ou cantar, de povoação em povoação, as suas descrições poéticas das guerras em que se haviam empenhado os com­patriotas.

Aliás, na antiguidade, a importân­cia dos poetas era enorme; atribuía--se-lhes a interpretação de augúrios;

uaíes, foram eles chamados e vaticí­nios essas interpretações. Eram cer­cados de uma espécie de auréola de nobreza.

Há várias espécies de poesia.

A dramática (para ser representa­da em teatros) possui "falas" ou diá­logos; tem enredo, ação, e compreende o drama propriamente dito, a tragé­dia, a comédia, etc., antigamente sem­pre escritas em versos.

Na poesia épica há, usualmente, a descrição de um acontecimento notá­vel, dos feitos de um herói, da história de uma nação, empregando-se, em geral, palavras altissonantes, arroja­das comparações.

Na poesia lírica exprimem-se par­ticularmente os sentimentos indivi­duais; seus temas preferidos são o amor, a tristeza, a saudade, e assim era chamada a princípio porque os poetas e aedos a recitavam ao som da "lira", instrumento de cordas, de forma característica.

O género satírico se inspira no pro­pósito de ridiculizar certas pessoas, instituições ou acontecimentos, mos­trando-lhes os defeitos e vícios.

As poesias são compostas de versos, linhas dispostas mais ou menos regu­larmente, com acentuações próprias, mantendo certo ritmo musical e gru­pados em "estancas" ou "estâncias", também chamadas estrofes.

Aqui estão quatro versos, formando uma estrofe:

"Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá;

As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá."

A estrofe de 2 versos chamam' dístico; à de 3, terceto; à de 4 quadra a quintilha, a sextilha e a setil?ia tên respectivamente, 5, 6 e 7 versos;

grupo de 8 é a oitava, o de 9 a non e o de 10 a décima.

Há grupamentos tradicionais, com o do soneto (duas quadras e dois ter cetos, de rimas combinadas entre si)

Há poesias de versos rimados, « outras em cujos versos não há rima. Esta existe quando, nos finais dói versos, aparece o mesmo som, a parti] da sílaba tónica, apesar de diferirei! as palavras. Eis três versos, de Gon' çalves Dias, nos quais rimam os doii primeiros; o som que faz a rima esti impresso em tipo diferente:

Não têm harmonia os mare.s Como o rugir dos palmares No correr da viração

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