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O LIVRO DA
POESIA Como os poetas combinam as sua
rimas No exemplo dado os versos qu rimam estão juntos, um seguindo outro; mas as rimas podem combinar -se de muitas outras maneiras. No seguintes versos de Castro Alves sã elas alternadas, quer dizer, o terceir rima com o primeiro, e o segund com o quarto: Lá. . . nas áreas infindas, Das palmeiras no país Nasceram. — crianças lindas, Viveram — moças gentis...E nestes, de Gonçalves Dias, só r: mam o segundo e o quarto, não rimai do os outros dois: Sobre o tapete de relva, A verde folha inclinada, Destila gotas de orvalho, Rocio da madrugada. Agora, ?>ml:namespace prefix = st1 ns =
"urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /> Os versos que não rimam, ou versos
broncos Por isso se escreveram em versos
brancos as tragédias e muitos poemas épicos. Na literatura brasileira
foram escritos nessa forma o Uruguai, poema épico de José
Basílio da Gama; o Colombo, de
Pôrto-Alegre, com magníficas
descrições; os Timbiras, de Gonçalves Dias; o Anchieta, de Fagundes Varela; e o
Napoleáo em Wa-terloo, de Gonçalves Magalhães, de
alguns dos quais reproduzimos nesta coleção trechos escolhidos. Eis um exemplo tirado dos
Timbiras: Cantor das selvas,
entre as bravas matas Áspero tronco de palmeira escolho; Unido a ele soltarei meu canto, Enquanto o vento nos
palmares zune Rugindo os longos encontrados leques. A agradável impressão que estes versos produzem ao ouvido mostra bem
que não é imprescindível a rima; a beleza principal da forma poética
provém do número de sílabas e da harmoniosa e expressiva distribuição dos
acentos. Modernamente, os poetas usam em larga escala não só os versos
brancos, como os versos livres, isto é, sem medida regular. Mas a
rima apropria-se mais a exprimir os sentimentos delicados, bem como
os aspectos felizes e aprazíveis da
vida. Minha mãe era mui bela... Eu me lembro tanto dela, De tudo quanto era seu! Minha mãe era boniTA, Era toda a minha diTA, Era tudo e tudo meu. E os dois primeiros versos dessa estrofe constituem as rimas paralelas ou seguidas: Minha mãe era mui bela. . . Eu me lembro tanto dela, Muitas outras combinações são usadas, de que veremos variados exemplos neste livro. Duas espécies de rimas são dignas, ainda, de menção: as encadeadas e as toantes. As primeiras consistem em intercalar no verso uma palavra que rime com a última do verso anterior. As últimas, imperfeitas, são muito populares nas trovas e provérbios ("Quem o alheio veste, na praça o despe"; "Mais vale quem Deus ajuda que quem cedo madruga"). Inegavelmente, os versos rimados agradam ao ouvido e nos ajudam a recordar as palavras de uma poesia; a maior parte dos versos da nossa língua são rimados. Isto não é, porém, imprescindível; com versos não rimados, a que se costuma chamar versos brancos, conseguem até os bons poetas dar uma impressão de energia e de grandeza que raras vezes se atinge nos outros. Na antiguidade
clássica (gregos e romanos) não havia rima, só métrica Os versos que não rimam, ou versos broncos Por isso se escreveram em versos brancos as tragédias e muitos poemas épicos. Na literatura brasileira foram escritos nessa forma o Uruguai, poema épico de José Basílio da Gama; o Colombo, de Pôrto-Alegre, com magníficas descrições; os Timbiras, de Gonçalves Dias; o Anchieta, de Fagundes Varela; e o Napoleáo em Wa-terloo, de Gonçalves Magalhães, de alguns dos quais reproduzimos nesta coleção trechos escolhidos. Eis um exemplo tirado dos Timbiras: Cantor das selvas, entre as bravas matas Áspero tronco de palmeira escolho; Unido a ele soltarei meu canto, Enquanto o vento nos palmares zune Rugindo os longos encontrados leques. A agradável impressão que estes versos produzem ao ouvido mostra bem que não é imprescindível a rima; a beleza principal da forma poética
provém do número de sílabas e da harmoniosa e expressiva distribuição dos
acentos. Modernamente, os poetas usam em larga escala não só os versos
brancos, como os versos livres, isto é, sem medida regular. Mas a
rima apropria-se mais a exprimir os sentimentos delicados, bem como
os aspectos felizes e aprazíveis da
vida. |
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